Resenha: Mundo Singular - Entenda o Autismo

 
Título: Mundo Singular
Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva
Páginas: 288
Editora: Fontanar
Ano : 2012
Classificação: 5/5

Sinopse: 
“Mundo Singular - Entenda o autismo” é um livro sobre a visão de mundo, os desafios, o brilhantismo e os tratamentos e as perspectivas futuras de crianças com autismo. A doutra Ana Beatriz Barbosa Silva e seus coautores, Mayra Bonifacio Gaiato e Leandro Thadeu Reveles, especialistas em psiquiatria e psicologia da criança, descrevem os sintomas, o diagnóstico, a visão da família, a visão da escola, os tratamentos, e as variações dessa condição ainda pouco compreendida e muito estigmatizada. Com uma linguagem acessível e relatos de casos reais, este livro pretendo ser um guia para informar Senti-me atraída por Mundo Singular mesmo sem nunca ter conhecido um portador do autismo. Parte disso se deve à crença de que conhecimento sobre pessoas é sempre bem vindo e a outra parte é devido ao fato de eu ser fã declarada da Ana Beatriz Barbosa Silva. A meu ver, a autora, por meio de uma linguagem simples e direta, domina com maestria a arte de traduzir a medicina para os leigos. Ela, definitivamente, usa conhecimento, competência e talento para produzir obras que indiscutivelmente são armas contra o preconceito.

O livro em questão pode ser erroneamente visto como algo específico para os pais de crianças autistas ou para aqueles que lidam com os mesmos. Mas, para os que assim pensam, eu, depois de ter lido a obra, só tenho uma coisa a dizer: ledo engano. Até porque o fato de não conhecermos alguém que sofra deste transtorno, não inibe a possibilidade de que um dia sejamos pais de uma criança autista ou que nos deparemos com uma no decorrer da vida. Uma vez que, de acordo com a ONU, há cerca de 70 milhões de pessoas com autismo em todo o mundo, sendo mais comum em crianças do que AIDS, câncer e diabetes juntos.

A Ana Beatriz Barbosa Silva, um dos maiores nomes da psiquiatria brasileira, começa sua abordagem sobre o autismo esclarecendo o que de fato é essa doença, desmistificando suas características, desfazendo mitos e destroçando o preconceito. Daí por diante, a autora distribui as variações de intensidade da doença em um espectro de cores que vai do branco ao preto, sendo o branco a variante mais leve e o preto o estado mais grave do transtorno. Visto que, existem quatro categorias em que uma pessoa com autismo possa se encaixar: traços do autismo, com características muito leves; síndrome de Asperger; autismo em pessoas com alto funcionamento; autismo clássico, grave, com retardo mental associado. Por meio desse recurso autoexplicativo o entendimento torna-se ainda mais simples.
“Quando se houve a palavra “autismo”, logo vem à mente a imagem de uma criança isolada em seu próprio mundo, contida numa bolha impenetrável, que brinca de forma estranha, balança o corpo para lá e para cá, alheia a tudo e a todos. Geralmente está associada a alguém “diferente” de nós, que vive à margem da sociedade e tem uma vida extremamente limitada, em que nada faz sentido. Mas não é bem assim. Esse olhar nos parece estreito demais: quando nós falamos em autismo, estamos nos referindo a pessoas com habilidades absolutamente reveladoras, que calam fundo na nossa alma, e nos fazem refletir sobre quem de fato vive alienado.”
“Entender e dominar o mundo singular dos indivíduos com autismo é ter a oportunidade de participar de um milagre diário: a redescoberta do que há de mais humano em nós e neles.”
No decorrer da leitura fica evidente que autistas são pessoas peculiares e extraordinárias, as quais apresentam diversas facetas maravilhosas e que muito podem nos ensinar, mas, como todo ser humano, possuem limitações e desafios a enfrentar.
“Compreender esse transtorno pode ser relativamente simples quando estamos dispostos a nos colocar no lugar do outro, a buscar a essência mais pura do ser humano e a resgatar a nobreza de realmente conviver com as diferenças. E talvez seja esse o maior dos nossos desafios: aceitar o diferente e ter a chance de aprender com ele”
“Vale ressaltar que, ao longo da história, as diferenças nunca foram bem aceitas e a nossa tendência é sempre sermos impiedosos com quem foge à regra.”
Mundo Singular concede ao leitor não apenas a oportunidade de conhecer as características e nuances da doença, mas também seu histórico, opções de tratamento, as possibilidades de um futuro acadêmico e profissional. Além disso, esmiúça os detalhes dos relacionamentos com autistas e isso envolve amizades e até mesmo casamentos. De quebra ainda é recheado de características, por exemplo, a de que cerca de 10% dos autistas são brilhantes. Além disso, outra curiosidade que muito me surpreendeu foi a de que tudo indica que grandes nomes como Leonardo da Vinci, Isaac Newton e Albert Einstein eram autistas.

Uma obra que possui começo, meio e fim. Sem dúvida um livro completo e muito bem escrito. Suas informações são relevantes, seu conhecimento enriquecedor e seu conteúdo conscientizador e interessante. A leitura não é cansativa e muito menos enfadonha, pois além da linguagem simples ainda contém narração de episódios vivenciados por pacientes, tais relatos envolvem o leitor e a ele concede o vislumbre do que é ser um autista ou conviver com um. A despeito de todas suas características positivas ainda possui um recurso intertextual maravilhoso: trechos de músicas no início de cada capítulo, as quais se encaixam como uma luva na leitura. Um livro que agrega, que deslumbra e humaniza. Não me sinto ousada em dizer que Mundo Singular devia ser leitura obrigatória, principalmente para professores e profissionais da área da saúde.
  


       

2 comentários:

  1. Ótima resenha! Sou jornalista e estudante de Pedagogia. Estou fazendo pesquisas para meu trabalho sobre o Autismo e com certeza este livro já está na minha lista.

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  2. Fico feliz que tenha gostado da resenha! :)
    De fato, o livro vale a pena.
    Beijos.

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