Resenha: A Revolta dos Injustiçados


 
Título: A Revolta dos Injustiçados
Autora: Evandro Costa de Oliveira
Páginas: 432
Editora: Produção Independente
Ano : 2015
Classificação: 3/5

Sinopse: 
inspirado em debates com militantes de esquerda, economistas e religiosos cristãos. O jovem matemático e escritor Evandro Costa de Oliveira faz uma profunda reflexão sobre as Injustiças Políticas e Sociais decorridas da corrupção, negligência e destrato da dignidade humana pelos líderes das Instituições e da Sociedade; assim como apresenta uma sucinta defesa da Laicidade do Estado, Liberdade Religiosa e do não envolvimento do cristianismo na Política. Para isso, o autor cria o personagem Eustáquio (representante do cidadão oprimido e sofredor que, um dia, após ser cruelmente violentado, assume a presidência da nação), intercalando com uma investigação ímpar, detalhada, questionadora e provocativa sobre Justiça, Economia, Educação, Sistema Político, Capitalismo, Socialismo, Anarquismo, Democracia, Individualismo x Coletivismo, Violência, Imparcialidade, Imprevisibilidade, Filosofia e Cristianismo; recorrendo aos grandes pensadores e suas literaturas – Sócrates, Platão, Sêneca, Karl Marx, Ellen G. White, Gandhi, George Orwell, C. S. Lewis, Aldous Huxley, Nelson Mandela, dentre outros, especialmente a Bíblia.
O leitor encontrará uma reflexiva obra que busca romper diversos paradigmas, assim como o confronto com grandes questionamentos e perguntas primordiais da humanidade. Implacável ao tratar as injustiças e as manipulações de líderes de movimentos civis e religiosos que buscam, através de sofismas, iludir e incitar o descontentamento, medo, ódio e a lhes darem poder e apoio às suas ações recheadas de injustiças. Mais do que isso, neste livro, o leitor encontrará as encorajadoras palavras de quem aponta um “norte” e desperta o valor da luta pelo bem, pelo próximo e a defesa da Lei Áurea, como condições básicas de dignidade e justiça.


A Revolta dos Injustiçados é um daqueles livros pelos quais nos apaixonamos à primeira vista. Sua linda capa nos encanta, o maravilhoso pensamento da Anne Frank antecedente à sinopse mexe com algo dentro de nós e a sinopse, por sua vez, é competente no quesito promover o interesse do leitor. Portanto, é inegável que o vendedor silencioso dessa obra, ou seja, a embalagem do conteúdo escrito, é digno de reconhecimento. Porém, embora a paixão seja despertada por uma simples olhadela, o amor literário vem apenas com o tempo.
Meu desejo é que essa obra possa ir de encontro ao coração de todo cidadão que se sinta injustiçado e deseja a justiça – como um grito preso nas cordas vocais.
O livro de estreia do autor Evandro Costa de Oliveira é indiscutivelmente inteligente e profundo. Ele se divide em duas partes, sendo uma de ficção e a outra um diálogo entre o autor e o leitor, em que o primeiro fala e o segundo reflete, questiona e expande os horizontes. A porção fictícia se mescla com a não ficção. Assim sendo, a narração da história de Eustáquio é divida em episódios, sendo estes intercalados por vários capítulos expositivos.   No entanto, enquanto a narração se dá em quatro episódios, por outro lado, os capítulos concernentes aos assuntos relevantes da sociedade somam vinte e um. Portanto, a obra em si pode ser vista como sendo de não ficção.

Primeiramente, algo chamou muito a minha atenção nessa leitura, e isto foi o prefácio. Na verdade, diferente de muitos livros por aí, a leitura do prefácio deste é de suma importância para o seu entendimento completo, pois ele deixa claro o propósito do autor ao escrevê-lo e explica algumas peculiaridades da escrita do mesmo. Mas, o prefácio é só uma das muitas ondas que nos fará mergulhar em A Revolta dos Injustiçados. Pois, a visão cristã acerca da política apresentada nessa obra é extremamente arrebatadora.
“O que essas pessoas, de fato, farão se eleitas? Bem, eu e você não sabemos; o futuro não nos pertence. Mas uma coisa é fato, temos uma consciência, um vivo norte de nosso dever. Sabemos e podemos garantir quais serão nossas escolhas e ações para com o nosso próximo, no presente. (...) Não sabemos o que os candidatos farão, mas sabemos o que podemos fazer pelo nosso próximo e por nós, ainda hoje. (...) A mensagem que o cristianismo nos trás é NÃO PERCA O FOCO.”
A narrativa, assim como uma parábola, deixa uma importante mensagem. Já os capítulos propriamente ditos, são, sobretudo, altamente reflexivos e intrigantes. Neles o autor versa sobre temas como justiça, Estado laico, coletividade, IDH, lutas sociais, entre outros assuntos. O peculiar é que o autor expõe sua opinião com tamanha sutileza que por vezes me perguntei qual de fato era o seu posicionamento acerca do assunto levantado. Sem dúvida, isso é interessante e digno de respeito, visto que quando o assunto é política as pessoas tendem a impor aos ouvintes/leitores aquilo que veem como verdade. Enquanto leitora percebi o esforço do autor no sentido de fomentar dúvidas e não o de impor verdades.

Existe uma perspicácia e uma sabedoria de base bíblica no tocante a algumas questões, e isso por si só já vale a leitura. Na verdade, para mim, o clímax do livro foi a lembrança feita por Evandro Costa de Oliveira, a lembrança de que nós, cristãos, somos meros peregrinos, nós não nascemos para esse mundo. Assim sendo, o autor nos exorta a sermos cristãos no sentido literal da palavra. Ademais, cabe comentar que A Revolta dos Injustiçados possui como característica marcante a intertextualidade, aliás, contém alguns apêndices dedicados a compartilhar citações e dicas de bons livros e filmes.

No entanto, minha crítica em relação a essa obra está no fato dela tentar abraçar muitas questões, consequentemente, a meu ver, o autor caiu no erro de tocar em pontos delicados de uma forma superficial, por exemplo, legalização do aborto, greves e adoção de crianças por homossexuais. Além disso, não enxerguei uma linha que costurasse os capítulos, talvez tenha faltado um pouco de objetividade. Por último, devo confessar que embora a escrita do autor seja gostosa de ser lida ainda assim a leitura é lenta. Este é um livro para ser lido com calma, atenção e com a finalidade de se aprender, portanto, creio que o ideal  seria ler os capítulos com um intervalo de tempo de um para outro. No mais, só cabe dizer que A Revolta dos Injustiçados é um prato cheio para quem gosta do assunto e leitura, mais que essencial para cristãos que se interessam por política. Gostei muito e recomendo!



  

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