Resenha: Cristianismo Puro e Simples


 
Título: Cristianismo Puro e Simples
Autor: C. S. Lewis
Páginas: 328
Editora: Martins Fontes
Ano : 2015
Classificação: 5/5

Sinopse: 
Durante a Segunda Guerra Mundial, a BBC convidou C. S. Lewis para fazer uma série de palestras pelo rádio. Foram programas que, ao final, deram um sentido novo à vida de milhares de adultos de todas as classes e profissões. O livro Cristianismo puro e simples, que colige essas preleções legendárias, veio a ser considerado a mais popular e acessível de todas as obras de Lewis, lembrando-nos daquilo que é mais importante na vida e apontando-nos o caminho da alegria e do contentamento. Esta edição de qüinquagésimo aniversário nos recorda de uma ocasião em que C. S. Lewis foi capaz de dar conforto e consolação a milhões de pessoas num tempo de guerra e de incertezas; mas suas palavras são tão pertinentes agora quanto em qualquer outra época.

Não me recordo de já ter lido um livro cujo título sintetizasse tanto o seu conteúdo quanto este. Cristianismo Puro e Simples honra o nome que tem, pois versa sobre os mais diversos assuntos intrínsecos ao cristianismo, mas que rotineiramente passam batidos por nossas conversas e reflexões. Talvez seja esse o segredo do imenso sucesso dessa obra, visto que as ideias nela contida são analisadas pelo próprio autor pelos mais diferentes ângulos. Dessa forma o coração do leitor não é arrebatado e sim a sua razão, seus pensamentos, suas certezas e opiniões. Logo, por meio da leitura nossa mente viaja pela racionalidade existente na maior das religiões, a qual tem sido fortemente obscurecida pela hipocrisia. Portanto, um livro que transforma e/ou complementa nossa visão acerca do cristianismo e da religião em si. Um livro subversivo, crítico e sem dúvida muitíssimo inteligente.

A história que deu origem ao livro é lindíssima e por si só já funcionou para mim como um tremendo incentivo para iniciar a leitura. Bom, em 1942 a Grã Betanha se envolveu na Segunda Guerra Mundial. Mais uma guerra que ceifou incontáveis vidas e assolou a população civil. Mais uma guerra que trouxe dor, sofrimento e pobreza. Foi nesse contexto histórico que C.S Lewis, um ex-ateu e veterano da Primeira Guerra Mundial, foi convidado pela BBC de Londres a falar sobre o cristianismo e assim trazer esperança e refrigério aos corações. C.S Lewis, para nosso deleite intelectual e religioso, aceitou o convite e por dois anos consecutivos (1942 e 1944) ministrou conferências radiofônicas que foram posteriormente escritas e compiladas no que veio a ser Cristianismo Puro e Simples.
“O que tornou possível a existência do mal foi o livre-arbítrio. Por que, então, Deus o concedeu? Porque o livre-arbítrio, apesar de possibilitar a maldade, é também aquilo que torna possível qualquer tipo de amor, bondade e alegria. Um mundo feito de autômatos – criaturas que funcionassem como máquinas – não valeria a pena ser criado. A felicidade que Deus quis para suas criaturas mais elevadas é a felicidade de estar, de forma livre e voluntária, unidas a Ele e aos demais seres num êxtase de amor e deleite ao qual os maiores arroubos de paixão terrena entre um homem e uma mulher não se comparam”.
Despindo-se de todas as regras denominacionais o autor se lança ao desafio de traduzir, desmistificar, e evidenciar a essência do cristianismo, expondo ainda todas as suas facetas de forma clara, direta e simples. Portanto, eis o primeiro ponto forte dessa obra: o autor não a escreveu com o objetivo de atrair fiéis para a denominação religiosa que frequentava. Em uma sociedade onde a arrogância marca presença dentro das religiões, por consequência, é comum vermos pessoas levantarem a bandeira, não da Bíblia e tampouco do cristianismo, mas sim das interpretações de líderes religiosos sobre o certo e o errado. Portanto, o objetivo do autor funciona como um grande diferencial, o que faz, entre outros fatores, “Cristianismo Puro e Simples” ser plausível e confiável.

Primeiramente, como quem ensina algo complexo a uma criança, Lewis fala sobre a natureza humana e por meio de inúmeras exemplificações, metáforas facilmente interpretáveis e uma argumentação conduzida pelos métodos dedutivos e indutivos, ele consegue nos fazer nos entender e vai além evidenciando que o caminho natural do homem é prostrar-se aos pés do Salvador. A partir daí sua linha de raciocínio vai tomando forma e englobando a crença dos cristãos e os seus fundamentos, a moral que nos rege, a fé e etc. Sua argumentação evolui e vai se aprofundado em temas cada vez mais complexos conforme o avançar dos capítulos.

É sensacional como no decorrer da leitura senti que eu estava crescendo intelectualmente e espiritualmente, pois o livro em questão é tão rico em razão e tão raro num mundo claramente regido por sentimentos e sensações que eu me encontrei nessa obra. Encontrei fundamentalismo de um jeito puro, simples e belo. Encontrei o meu lugar dentro do cristianismo. Portanto, eis o segundo ponto forte de “Cristianismo Puro e Simples”: Lewis não apela para o sentimentalismo a fim de nos aproximar de Deus, pelo contrário, ele usa argumentos muito bem fundamentados. Afinal de contas, vale salientar, C.S Lewis foi ateu durante boa parte de sua vida, assim sendo, ele sabia muito bem a carência de que o cristianismo carecia e ainda carece de que suas verdades sejam expostas, de que suas ideias ganhem credibilidade por palavras e atos que dela testifiquem.

Mas, por mais que eu tenha gostado do livro, algumas ressalvas devem ser feitas e a primeira delas é a de que Cristianismo Puro e Simples não é o tipo de livro para se ler ao fim de um dia estressante com a finalidade de distração, pelo contrário, esse é um livro para ser estudado e lido com mente descansada e tempo livre, visto que sua leitura exige atenção do leitor, e as reflexões por ela instigadas merecem tempo para serem analisadas. Além disso, a leitura, pelo menos para mim, não foi nada fluida, embora, seja bem verdade, que sua linguagem é bem contemporânea e beira em muitos momentos ao coloquialismo quando, por exemplo, o autor se dirige ao leitor diretamente. Ademais, é necessário entender que para se ler um livro como esse é necessário um mínimo de maturidade, digo isso, pois não se trata de um livro que eu presentearia um juvenil ou até mesmo um adolescente.

Por fim, minha última opinião acerca deste clássico da literatura cristã é a de que C.S Lewis sabia do que estava falando quando expos seus pensamentos e ideias. A leitura criou em mim a impressão de que o autor falou de Deus com propriedade de conhecimento, como quem fala de alguém com quem se convive; como quem enaltece alguém por quem o amor que se sente é indescritível. Além disso, a forma como o autor fala sobre a vida eterna é maravilhosa, quem dera se víssemos todos os cristãos anunciando com clareza e obstinação o fato de existir um céu e uma vida eterna, uma vez que a queda do homem nos custou uma breve vida aqui, mas a graça, felizmente, nos possibilitou fazer desta vida apenas uma peregrinação e não um fim. Porém, por outro lado, só em um ponto creio que ele desviou-se do caminho bíblico, pois em certa altura (capítulo 11 do livro VI) desenvolveu elucidações baseadas no evolucionismo, o qual, diga-se de passagem, é irrefutavelmente contrário à Bíblia.
“As doutrinas não são Deus, são como um mapa. Esse mapa, porém, é baseado nas experiências de centenas de pessoas que realmente tiveram contato com Deus – experiências diante das quais os pequenos frêmitos e sentimentos piedosos que você e eu podemos ter não passam de coisas elementares e bastante confusas. Além disso, se você quiser progredir precisará desse mapa.”
Querido leitor, todo cristão de alguma forma representa o cristianismo. Contudo, nem sempre representamos o verdadeiro cristianismo e creio eu, sinceramente, que esse livro é fundamental para nos ajudarmos nessa empreitada chamada de vida cristã, além da Bíblia, claro. Portanto, eu o indico sem medo de errar. Se você é cristão leia esse livro! Se você é ateu leia esse livro, talvez você veja o cristianismo com outro olhar depois da leitura. Se você não sabe no que acreditar em relação a Deus, então leia esse livro! Sim, pode parecer que estou fazendo propaganda, mas não é isso que fazemos quando falamos sobre algo de que muito gostamos? Creio eu que sim e é por isso que indico Cristianismo Puro e Simples explicitamente.



 


5 comentários:

  1. Este foi sem dúvidas um dos mais brilhantes livros que já li e que mudou muito meu pensar e agir.
    Tenho outra opinião quanto a leitura... eu achei uma leitura tremendamente fluída e bem escrita. E excelente para ler a qualquer hora. É bom lembrar que o publico alvo de Lewis eram pessoaa fadigadas pela guerra, um conteúdo e formas dificeis afugentariam... Mas talvez seja a mudança da época e o teor das modernas literaturas não exercitarem muito a razão que pode dar tal impreassão.

    Há pontos doutrinários um tanto questionáveis na obra. Mas é no todo uma grande revelação.
    É bom lembrar que Lewis foi autor de Cronicas de Narnia. Professor em Cambrigde. Amigo de Tolkien. Ex-ateu convicto e militante. E, no caso dele, foi a razão que o levou a crer. Por isso a sua lógica e exposição é sempre marcada a contrapor ideias comuns a incredulidade e ateísmo.

    Outro livro fantástico de sua autoria e que recomendo é Abolição do Homem.

    Um abraço.

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  2. Eu ouvi um podcast esta semana sobre esse livro e já estava com muita vontade de lê-lo. Depois dessa excelente resenha, minha vontade só aumentou!

    Abraços!

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  3. Li apenas As Crônicas de Nárnia do autor, mas tenho muito interesse de ler este livro sobre o cristianismo. Gostei da sua resenha, e da dica de estudar o livro.
    Abraços.
    https://letrasmaislivros.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Talita! Fico contente em saber que você gostou da resenha e da dica. Espero que tenha uma ótima experiência com "Cristianismo Puro e Simples". Abraços.

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