Resenha: Mil Cairão ao Teu Lado


 
Título: Mil Cairão ao Teu Lado
Autor: Susi Hasel Mundy e Maylan Schurch
Páginas: 192
Editora: Casa Publicadora Brasileira
Ano : 2004
Classificação: 5/5

Sinopse: 
Franz Hasel, um pacifista de quarenta anos, foi convocado e enviado para a Companhia Pioneira 699, a tropa de elite de Hitler. Seus princípios religiosos não o tornavam bem-visto pelos superiores. Na Rússia enfrentou um problema: como advertir os judeus locais antes que as tropas nazistas os pegassem. Enquanto isso, em casa, a esposa de Franz, Helene e seus quatro filhos eram pressionados para filiar-se ao partido nazista, e Helene anunciou: 'Pertenço ao partido de Jesus Cristo'. Em poucos anos eles passaram por inúmeros perigos de vida. As chances de sobrevivência? Muito pequenas. O único aliado? Deus.

Quando penso na Alemanha nazista imagino a sensação de medo e terror que provavelmente era tão grande que devia transpirar pelos poros das minorias. Quando penso na Alemanha nazista eu imagino o tamanho do grau de desumanidade que se apoderou daquele povo. Por outro lado, quando penso que na Alemanha nazista alemães se colocaram em situação de risco para simplesmente não negociar valores, bom, nessas horas eu não penso, eu vejo.  Vejo a beleza linda e valente de se prender aos princípios mesmo quando as situações são adversas. E é um misto lindo de emoção e inspiração ver por meio de Mil Cairão ao Teu Lado essa beleza de vida que vale a pena ser vivida, através, não apenas da história de um homem, mas da de sua família também. Palavras não podem descrever tal obra, só os sentimentos que a mesma desperta é que podem ser descritos.

Em Mil Cairão ao Teu Lado é nos narrada, em terceira pessoa, a vida de uma família cristã durante toda a segunda guerra mundial. Dessa forma, tanto o cotidiano dos soldados como o dos moradores que permaneceram nas capitais é detalhado. Mas, como o próprio título já dá a entender, por fazer alusão ao Salmo 91:7, a obra é um testemunho verídico sobre como Deus não permite que nos arrependamos, caso decidamos, mesmo em situações desfavoráveis, ser fiel a Ele e ao amor ao próximo.

Bom, a história já engrena nas primeiras páginas quando relata a convocação de Franz, com seus 40 anos, a partir para a guerra. Contudo, este pai de família já ao se apresentar ao centro de recrutamento deixou claro que devido às suas crenças não se sentiria bem em pegar em armas. E nesse ponto eis que se surgem as dificuldades e desafios, visto que o oficial responsável não simpatiza com cristãos. Sendo assim, Franz é designado para servir como soldado raso na Companhia 699, chamada de Pioneiros do Parque.
“Franz engoliu em seco. Ele conhecia bem os Pioneiros. Essa era uma unidade de engenharia que preparava o caminho para o exército passar. (...) Isto significa, Franz pensou consigo mesmo, que os soldados da 699 sempre estarão entre os primeiros alemães em território inimigo. Sem dúvida, o oficial o havia colocado na linha de frente porque odiava pessoas que não apoiavam as iniciativas de Hitler.”
Franz então despede-se de sua família e com uma prece nos lábios eles se separam. A partir daí os capítulos passam a se intercalar, ora um trata da vida de Franz distante do lar, ora o outro relata o cotidiano de Helene com seus três filhos. A meu ver, essa foi uma ideia mais do que maravilhosa, pois assim o leitor é capaz de se envolver em ambas as histórias, as quais acontecem de forma paralela.

Se por um lado o soldado cristão e vegetariano enfrenta chacotas dos seus colegas e superiores, por outro lado, Helene e as crianças sofrem com o extremo racionamento alimentar e, além disso, com as pressões para se associar ao partido nazista.
“Tarde, naquela noite, Franz saiu da sua barraca. Não era possível ver a Lua – somente as estrelas brilhavam no céu escuro. Pareciam tão próximas, como se pudessem ser tocadas. Olhando para elas, Franz pensou onde os seus amados estariam naquele momento. Estariam eles ainda vivos? Talvez naquela hora eles também estivessem olhando para o céu e pensando nele. Ele sabia que o mesmo Deus que cuidava das estrelas estava cuidando também dele e da sua família.”
Mas, a família alemã não estava disposta a relativizar nem sua fé e nem seus valores. Portanto, se as provações e dificuldades foram muitas, em contrapartida, o cuidado de Deus não lhes deixou desamparados, mesmo quando as aparências diziam o contrário. Há também de se salientar que ler Mil Cairão ao Teu Lado é fazer uma viajem ao período da Segunda Guerra Mundial, pois a riqueza de curiosidades é imensa. Detalhes sobre a vestimenta dos soldados, a alegria com que os mesmos partiram para a batalha que acreditavam ser uma vitória rápida e certa, as regalias que os filiados ao partido nazista recebiam e a descrição dos abrigos contra bombas são apenas alguns dos muitos pormenores que foram detalhados, permitindo-me assim mergulhar nessa viagem chamada leitura.

Por fim, por acreditar que algumas coisas e pessoas são muitas vezes tão especiais a ponto de as palavras tornam-se insuficientes para descrevê-las é que finalizo esta resenha sem usar adjetivos em relação ao livro em questão. Pois, para mim, certamente Mil cairão ao Teu Lado se encaixa na categoria de muito especial. Logo, nada mais tenho a acrescentar a não ser que recomendo a obra para todos que professam o cristianismo com a certeza de que quem a ler irá certamente se apaixonar.






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