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Desarmamento



Não foi fácil assistir aos jornais ontem. Aliás, não tem sido fácil lidar com as notícias diárias. Dia após dia somos alarmados com barbaridades que parecem retiradas diretamente de um conto de terror. Particularmente, tento evitar essas notícias para manter minha sanidade mental. Mas ontem fui assaltado pelas notícias.

Preocupação


 

Escrevo com a preocupação sob meus dedos. Nas minhas costas, em minhas costelas: em todos os lugares cartograficamente possíveis de elencar e também naqueles que são invisíveis, não sendo por isso intangíveis. Minha alma fervilha baixo, cheia, e não aquieta à espera da próxima gota a encher o já farto vasilhame de sentimentos. Sempre cheio, e cada gota conta o excesso de tudo que não sei dizer.

Incompletude


 

Nessas idas e vindas da vida, num lugar comum como uma sala de aula, fazia a apresentação de seu texto. Em sua mente, tal obra era impecável e alcançava todas as questões que eram propostas durante a discussão. Sentia, sinceramente, uma genuína alegria pelo trabalho que acabara de apresentar. Um silêncio sepulcral se instalou após a leitura, e não era recriminador. A suspensão do momento estava no impacto que a escrita tinha alcançando em cada um. Salvas de palmas e alguns comentários e a rodada de trabalhos continuou. E foi então que aquela alegria começou a dar lugar a outros sentimentos.

Admirar


Da Admiração, Da Afetação E Dos Nossos Possíveis Olhos Cansados:

“(...) a Admiração me parece a primeira de todas as paixões; e não tem oposto porque, se o objeto que se apresenta não tem em si nada que nos surpreenda, não somos afetados por ele e o consideramos sem paixão" (R. Descartes)

Quando foi que você se pegou sem palavras diante de algo ou alguém? O coração bateu mais forte, talvez não mais rápido, e naquele momento você tinha os sentimentos a flor da pele – o amor, a raiva, a alegria... Quando foi que você não só viu ou observou, mas experimentou com admiração? Eu espero, meu querido leitor, que isso não faça muito tempo.

E espero porquê estamos perdendo essa capacidade de sentir com os olhos, de sermos surpreendidos, como Descartes já apontava. O perigo dessa falta de admiração é que ela vai nos afastando de sermos afetados – e precisamos desta afetação. O outro precisa despertar em mim o que quer que seja; torço para que sejam coisas boas, na maior parte das vezes. Certas raivas e dores também são necessárias e estas, entre aqueles que amamos, são as que possivelmente nos farão melhores.
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